Pico da Bandeira – ES

Batizado pelo Mochila de Memórias: “Congelando sob céu de estrelas”.

O Pico da Bandeira fica no Parque Nacional do Caparaó, na divisa do estado do Espírito Santo e Minas Gerais e possui 2892m de altitude, o que dá a ele o título de TERCEIRO PICO MAIS ALTO DO BRASIL!!!

Como todo montanhista, subir o Pico da Bandeira estava na minha wishlist há um bom tempo e por fim, após comprar passagens para Vitória, decidimos que o destino principal seria este! Aproveitando um feriado municipal, decidimos subir o pico na madrugada de quinta para sexta-feira, o que nos rendeu quase exclusividade lá em cima.

Um ponto importante a considerar para subir o Pico da Bandeira é de onde partir. Optamos pelo lado capixaba, escolhendo o camping Casa Queimada como base (Portaria de Pedra Menina). De Vitória, os cálculos pelo Google Maps são de 4h30 e cerca de 280km. Pra quem quer subir pelo lado mineiro, a portaria é a do Alto Caparaó. Essa decisão deve ser tomada com antecedência, já que para pernoitar dentro do parque é preciso solicitar via site, informando a data de pernoite e o camping escolhido. No 1° dia útil do mês anterior ao escolhido, essa reserva já pode ser feita.

ATENÇÃO: é preciso receber a confirmação da reserva e apresentar o email impresso na portaria do parque. Mais informações no site do ICMBio: http://www.icmbio.gov.br/parnacaparao/guia-do-visitante.html

Passamos na loja Mar e Mania pra comprar gás pro fogareiro e às 9h50 saímos de Vitória. Pra quem precisa de alguns itens de camping, essa loja é de fácil acesso e bom preço. O trajeto do GoogleMaps passou por diversos centros de cidade, o que deixou a viagem mais longa do que imaginava. A vantagem disso é poder comprar os itens de supermercado no caminho. Na cidade de Iconha adquirimos nosso kit sobrevivência com comidinhas de montanha: água, miojo, gatorade, amendoim, chocolate, Sneakers e salgadinhos Elma Chips! haha

Nosso carro alugado era um Onix 1.4 Automático e a grande ansiedade estava em saber se ele subiria ou não a estrada da portaria de Pedra Menina até o camping Casa Queimada. Li muitos relatos e mesmo perguntando pra várias pessoas, não houve uma conclusão objetiva. Por fim, às 15h30 chegamos em Pedra Menina e às 15h45 estávamos na portaria do Parque. Recebemos instruções dos guarda-parques e logo partimos. No trajeto haviam diversas placas de cachoeiras, mas como não havia certeza do trajeto, preferimos seguir direto para o camping. Após 20min dirigindo por uma estrada íngreme e encantadora, chegamos!!! Nosso ônix arrasou!!! #tksGod

Havia cerca de 8 pessoas armando barracas por ali. Neste camping há banheiros e duchas de água gelada, mas você tem que ser MUITO corajoso pra tomar um banho no inverno. Aproveitamos a luz do dia para armar a nova barraca, uma Quick Hiker da Quechua para 2 pessoas, comprada por ser mais leve (2,8kg). Ela é auto-portante e apesar de ter uma montagem diferente de todas conhecidas, é bem fácil de lidar.

Para o fim do dia, tínhamos expectativa de subir um pouco as montanhas e ver o pôr-do-sol, mas o céu estava totalmente fechado pela neblina. Será que vai ficar assim?? Já me lembrei de todos os últimos dias verificando as condições do tempo no Pico e ansiedade por ter um lindo dia nos esperando.

VOCÊ SABIA? Muita gente não consegue subir efetividade para o Pico devido a neblina e chuvisco na madrugada. Li MUITOS relatos de pessoas que não concluíram o trekking e isso era uma coisa que eu estava rezando pra não acontecer.

Enquanto conversávamos com uma galera, a noite caiu e de repente, ao olhar pro céu, MUITAS ESTRELAS e NENHUMA NUVEM! Bendición!!! Era noite de chuva de meteoros e com o aplicativo Sun Surveyor, conseguimos identificar aonde a MilkyWay estaria pra render lindas fotos.

Com a noite, chegou também o frio e rapidamente a base do camping indicava 4°C. Umas 21h percebi pessoas chegando e armando a barraca. Isso foi estranho já que a portaria fecha às 18h, não? Anyway, jantamos e aproveitamos pra registrar o lindo céu estrelado.

Entre tentativas de dormir e saídas para fotos, o frio realmente me pegou. Meu pé doia como na Noruega em noites de Aurora Boreal. Sensação de congelado que não me deixava dormir de jeito nenhum. Como resolvi? Tirei meias e bota, esfreguei o pé num fleece bem fofinho até ele esquentar, depois coloquei uma meia de lã e caí dentro do saco de dormir. Bons sonhos ou até daqui a pouco!

A saída ficou combinada com todos do camping às 2h. Logo, 1h45 acordamos com vento sacudindo a barraca e às 2h já estávamos ali fora, prontos. Com a clássica enrolação, às 2h30 partimos.

Em ritmo moderado, fomos acompanhados por uma turma de estudantes que não tinha GPS, lanterna rs. O frio e o vento durante a caminhada era bastante intenso. A trilha é bem sinalizada: no mato é só seguir pelo caminho mais marcado e nas rochas é só seguir os totens e setas pintadas em amarelo. Os totens brilham no escuro com a luz da lanterna, facilitando mais a noite do que o dia. A vantagem de caminhar de noite é que você não vê que está ao lado de precipícios e segue apenas seguindo rsrs.

Por fim, às 5h30 olhei pra cima e vi o cristo e a antena. Pensa numa sensação louca de desafio cumprido. Como sempre, terminei os últimos metros chorando de emoção. O céu estava praticamente escuro mas já dava pra ver que algo começava a azular no todo. Obrigada Deus!

Era emoção que não acabava e frio, muito frio, MUITO frio mesmo! Era um frio congelante de arder o olho quando pegava o vento que inclusive quase mandava a gente longe. Mal consegui tirar foto com celular porque não conseguia segurar o celular. Nos acomodamos do jeito que deu e pra não perder o espetáculo que ganhamos de presente. Foi sem dúvidas um nascer do sol único, com horizonte alaranjado, com sensações térmicas únicas às 5h55. Obrigada Deus, que arraso!!!

Os presenteados nesta madrugada não passavam de 20 pessoas no total. Fiquei refletindo sobre umas fotos que havia visto dias antes de estar aqui e realmente foi sorte de ser dia de semana. Por fim, queria ficar umas 2h no cume, tirando todas as mil fotos possíveis, mas além de estar realmente uma temperatura insuportável, não conseguia segurar nada de tanto que os dedos doiam rsrs. Gente, de verdade, suba preparado!

Cerca de 45min depois do nascer do sol, iniciamos a descida. Muitos pontos com o maravilhoso mar de nuvens podem ser vistos. Eu amo esse visual! Ah, uma dica relevante é que há um ponto de água no trajeto. Nós não precisamos mas caso seja necessário, esse ponto existe. Foram 2h30 de descida, com direito a encontrar grandes blocos de gelo na montanha.

Na volta também vimos o guarda da portaria guiando algumas pessoas e quando eles olhavam pra gente e perguntavam se vimos o nascer do sol, eu me sentia a mais phodástica das montanhistas hehehe. No retorno, relax na barraca que estava quentinha nos aguardando. Após o cochilinho, às 12h deixamos a brisa gelada com sol quente da montanha para voltar para chuvosa Vitória.

ATENÇÃO: Mesmo com o cesto de lixo gigante, muitas pessoas largaram lixo no gramado, que ia pra mata (cigarro, caixa de toddynho, embalagem de bolacha). Vergonha demais desse povo que “finge” respeitar a natureza. Sorte que tem o pessoal do ICMBio de olho nessa sujeira. Aliás, doamos nosso gás pra eles, que esquentam a comida deles ali no camping somente com fogareiros.

Acesso: Ao chegar no distrito de Pedra Menina, após passar por Dores do Rio Preto, siga placas indicando o Parque Alto Caparaó. Se não se sentir seguro, pergunte pra qualquer um na rua – todos saberão. Depois de 15min, você chegará a Portaria Pedra Menina. Dali são cerca de 8 km em estrada de bloquete e terra. Como estava tudo seco subimos tranquilamente com um carro sem tração 4×4. Confesso que não achei o fim do mundo a qualidade da estrada.
Estacionamento: No camping Casa Queimada eu calculo vaga para uns 10 carros. Se lá lotar, é preciso seguir de volta para a portaria, procurando por outros estacionamentos (Camping Macieira). Não é permitido parar o carro na estrada dentro do parque.
Preço: Zero mas era previsto cobrar R$16 a entrada no parque e R$18 o pernoite, por pessoa.
Adequado para aventureiros: Experientes.
Tempo para subida: Cerca de 3h fazendo paradas rápidas para descanso e hidratação, caminhando em ritmo moderado.
Distância: 4,5km do camping até o cume.
Tempo necessário: 2 dias pra quem quiser ver o nascer do sol. 1 dia para bate e volta.
O que levar: Jaqueta corta vento, roupas térmicas, luva, gorro, lanterna de cabeça, bastão de caminhada, chapéu/boné, água, lanche pra dar energia na subida e retorno e um tapetinho pra sentar.
Comunicação: Sinal de celular durante a subida e no pico.
Atrações: Céu absurdamente estrelado; Trekking noturno; Nascer do sol no horizonte infinito; Gelo no pico; Cachoeiras.
Infra-Estrutura: No camping Casa Queimada há coletores de lixo (por favooooor, recolha seu lixo!), banheiros e sanitários. Não há energia elétrica. Capacidade para cerca de 50 barracas.
Data de referência: Julho de 2017.

Visual:🎒🎒🎒
Dificuldade:🎒🎒
Brutalidade:🎒🎒

 

  • Neste mesmo dia h um ano eu estava aqui! O
  • Quem quer alcanar duas top montanhas no mesmo dia levanta
  • Eu tambm quero ver o nascer do sol! Que liiiindo!
  • Congelando e aguardando o nascer do sol!  Chegamos as
  • Regrann from monaguimaraess  Meu mar favorito mar de nuvens!
  • Call it magic call it true Pra alegrar essa sexta
  •  muito louco quando voc pra e pensa em tudo
  • Sempre so mgicos esses momentos na montanha Foco no que
  • Meu mar favorito mar de nuvens!  Mais uma vez
  • Aproveita que pra acampar na Casa Queimada Pq Alto Capara

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